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"5 Saídas Verdes para a Crise": mais floresta autóctone, menos incêndios e mais reciclagem

Terça-feira, 22.05.12

A Conferência Rio+20 terá lugar no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de junho e reunirá primeiros-ministros e chefes de Estado de todo o mundo. Ao mesmo tempo, e durante duas semanas, terá lugar na mesma cidade, a Cúpula dos Povos, uma reunião de organizações não governamentais aberta a toda a população que procurará fazer eco das ideias da sociedade civil sobre o futuro do planeta. Depois do sucesso da ECO/92 há vinte anos com a aprovação de uma agenda mundial para a sustentabilidade (Agenda 21) e três Convenções das Nações Unidas (clima, desertificação e biodiversidade), a Rio+20 que terá lugar num ambiente de pessimismo e preocupação generalizado é também uma forma de inspiração, de mudança de paradigma, de uma sociedade que deve apostar verdadeiramente num desenvolvimento sustentável e não apenas no crescimento.

Para ultrapassarmos as várias crises que marcam o mundo (alimentação, energia, clima e finanças) necessitamos de uma ação coordenada rumo a uma redução da pegada ecológica, principalmente dos países mais desenvolvidos, através da aposta em fontes renováveis e num uso o mais eficiente possível dos materiais e da energia.

A iniciativa da Quercus “5 Saídas Verdes para a Crise” pretende mostrar alguns dos setores-chave em Portugal (energia, agricultura, florestas, pescas e reabilitação urbana), onde o estímulo e o investimento não podem ser esquecidos pela oportunidade de criação de emprego, assegurando uma maior independência e sustentabilidade do país.

Quercus quer Portugal com 50% de reciclagem de rolhas de Cortiça em 2025, o que permitirá a plantação de 500.000 árvores/ano de espécies autóctones

O GREEN CORK (www.greencork.org), é um Programa de Reciclagem de Rolhas de Cortiça desenvolvido pela Quercus em parceria com a Corticeira Amorim, e que conta com o Continente como principal parceiro na recolha de rolhas. Tem como objectivo não só a transformação das rolhas usadas noutros produtos, mas, também, com o seu esforço de reciclagem, permitir o financiamento de parte do Programa “Floresta Comum”. A opção de utilizar a língua inglesa no nome do projeto, teve como objectivo a internacionalização da reciclagem de rolhas a outros países, uma vez que começa a ser cada vez mais exigido por parte dos consumidores e engarrafadores de todo o mundo, que a totalidade da embalagem possa ser reciclada.

Sem esta reciclagem, não se pode defender a rolha de cortiça como um produto ecológico. Defendendo a rolha de cortiça estamos também a defender o montado de sobro e a biodiversidade que lhe é associada.

A matéria-prima cortiça, como produto natural (que necessita de um tempo longo de crescimento) é limitada, pelo que o seu reaproveitamento não diminui a utilização da cortiça que sai das árvores, mas permite a sua utilização em outros produtos. Apostar nesta vertente é cada vez mais uma condição para mantermos a posição de Portugal como líder do mercado na cortiça.

As rolhas de cortiça recicladas nunca são utilizadas para produzir novas rolhas, mas têm muitas outras aplicações, que vão desde a indústria automóvel, à construção civil ou aeroespacial.

No mercado português entram anualmente cerca de 300 milhões de rolhas, que significam cerca de 1.200 ton. de cortiça, tendo por base uma média de 4 gramas por rolha. Desde o início do programa Greencork, foram estas as quantidades de rolhas recolhidas:

       2010 – 39 ton. (3,25%)

       2011 – 35 ton. (2,92%)

       2012 (até Maio) – 41 ton. (3,42%)

No sentido de dar continuidade ao aumento assinalável do corrente ano, o Green Cork pretende aumentar de forma continuada estas percentagens anuais de reciclagem para atingir em 2025, uma taxa de reciclagem de rolhas de cortiça de 50%.

Esta meta de reciclagem, significa uma quantidade anual de cerca 600 ton, o que nos vai permitir plantar anualmente cerca de 500 mil árvores de espécies autóctones, ao abrigo do projeto Floresta Comum, realizado em parceria com a Autoridade Florestal Nacional (AFN), Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP): http://www.condominiodaterra.org/pt/envolva-se/floresta-comum/.

Reciclar rolhas é não só prolongar a retenção de CO2, mas também possibilitar que anualmente possam vir a ser plantados anualmente cerca de 5.000 há de floresta autóctones.

Porque devemos dar tanta importância às florestas autóctones?

  • As florestas autóctones estão mais adaptadas às condições do solo e do clima do território, por isso são mais resistentes a pragas, doenças, longos períodos de seca ou de chuva intensa, em comparação com espécies introduzidas;
  • As florestas de árvores autóctones, embora de crescimento mais lento, quando bem desenvolvidas, são normalmente mais resistentes e resilientes aos incêndios florestais, permitindo reduzir a despesa  com o combate aos incêndios florestais e diminuir as emissões de CO2;
  • As florestas autóctones ajudam a manter a fertilidade do espaço rural, o equilíbrio biológico das paisagens e a diversidade dos recursos genéticos, bem como o suporte das atividades agrícolas;
  • As florestas autóctones fazem parte do nosso ecossistema. São importantes lugares de refúgio e reprodução para um grande número de espécies animais autóctones, e potenciam a disponibilização de serviços de ecossistema;
  • Regulam o clima e o ciclo hidrológico, assim como servem de matéria-prima a produtos fundamentais na vida quotidiana.

Dada a discussão internacional que ocorre já neste momento sobre a inclusão nos PIB,s nacionais do desempenho ambiental de cada país, a aposta na floresta autóctone, pode vir a revelar-se determinante na construção de um futuro ambientalmente e economicamente sustentáveis.

As vantagens ambientais da cortiça foram determinantes no confronto com vedantes alternativos
A exploração da cortiça é uma referência a nível mundial de convivência da economia com o ambiente. De facto, a cortiça é um material natural, é 100% biodegradável e reciclável. E não só se gasta muito menos energia na produção de rolhas como a exploração de cortiça mantém florestas de sobreiro que capturam CO2 (4,8 milhões de toneladas por ano só em Portugal) e ainda mantêm a biodiversidade.

Este setor foi ameaçado pelo surgimento de vedantes de plástico e alumínio, e as vantagens ambientais e o bom desempenho técnico deste vedante natural, foram determinantes para a recuperação da quota de mercado que ocorreu durante 2010 e 2011, e que continua a manter esta tendência positiva. Esta conjugação entre o bom desempenho técnico e as inegáveis mais valias ambientais, são a massa crítica que podem alicerçar o futuro desta atividade, e a valorização do ecossistema do montado de sobro. Durante esta visita será inaugurada uma nova linha de aglomeração de cortiça, que representa o maior investimento no setor a nível mundial, e que vai poder potenciar a reciclagem de rolhas de cortiça. A industria da cortiça emprega cerca de 100.000 pessoas em todo mundo.

Mais informações sobre as vantagens ambientais da cortiça, poderão ser consultadas em: aqui e em aqui

Mozelos, 21 de maio de 2012

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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publicado por Quercus às 15:00





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