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Rio+20: documento a aprovar pelos chefes de Estado e governo é uma desilusão

Terça-feira, 19.06.12

Começa amanhã, dia 20 de Junho, no Rio de Janeiro, e prolonga-se até 6ª feira, a mais importante e participada Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - a Conferência Rio+20. O objetivo principal é definir o caminho a seguir nos próximos anos em áreas como a economia verde, isto é, como é possível gerar empregos em áreas que não tenham impactes significativos. São exemplos disso a reciclagem de materiais, a eficiência energética e as energias, a proteção dos oceanos, a gestão das grandes cidades, os objetivos de desenvolvimento sustentável e os meios de implementação (incluindo questões de financiamento).

As expetativas da Quercus são infelizmente limitadas:

- Por um lado a conferência é já em si uma oportunidade de balanço e de mobilização (vinte anos depois da ECO/92, que iniciou todo um conjunto de processos: três convenções nas áreas do clima, desertificação e biodiversidade), e também de estabelecer uma agenda para a sustentabilidade às escalas local e global (Agenda 21). No entanto, os resultados finais estão, em algumas áreas, muito aquém do desejável: o aquecimento global não está a ser contido, as áreas desertificadas estão a aumentar e não se tem conseguido parar a destruição de muitos ecossistemas.

- Por outro lado, o renovar do caminho e o surgimento de alguns dos pontos fortes como a criação de uma Agência das Nações Unidas para o Ambiente, a retirada de subsídios aos combustíveis fósseis, o estabelecimento de compromissos em diversas áreas são diversas matérias que não receberam consenso ou que são pouco ambiciosas.

Sabia-se que a tarefa era hercúlea, difícil e, em algumas áreas, corria-se mesmo o risco de se agravar as divergências sistematicamente acumuladas ao longo de anos entre países mais ricos (mais industrializados e desenvolvidos) e as economias emergentes e países em desenvolvimento (ou menos desenvolvidos). Há visões muito diferentes do caminho a seguir para um planeta que tem cada vez mais população e que está a usar recursos que não se conseguem regenerar à mesma taxa de consumo, traduzindo-se também em enormes desigualdades entre países.

Depois de três dias de reuniões preparatórias, no sábado dia 16 de junho, o Brasil assumiu a responsabilidade, como organizador da Rio+20, de conduzir negociações informais no sentido de chegar a um documento a ser aprovado pelos chefes de Estado e de governo. Desde aí até ao final da manhã de hoje, 19 de Junho, simplificou-se o documento, algumas áreas foram acordadas, outras foram eliminadas e aprovou-se o texto final. A proposta é pouco objetiva, pouco ambiciosa e fica muito aquém do desejável. Ainda há três dias para os governantes poderem eventualmente melhorar alguns aspetos, mas para já o caminho é o da desilusão.

Quercus presente nas manifestações de 20 de Junho; nas negociações, a seguir posições de Portugal, e na Assembleia dos Povos

Amanhã, dia 20 de junho, 4ª feira, realizam-se duas manifestações: uma primeira durante a manhã na favela Vila do Autódromo, junto ao local da conferência e do recinto com pavilhões de diversos países, e uma outra, a principal, que terá lugar pelas 15h, no centro do Rio de Janeiro. A Quercus estará presente em ambas as manifestações, reclamando os direitos de todos os cidadãos a um planeta com um melhor uso dos recursos, maior equidade e maior participação.

Seguiremos também as negociações como observadores e com alguma possibilidade de intervenção que é concedida às organizações não governamentais de ambiente, mas também no acompanhamento dos trabalhos da delegação portuguesa, onde dois dos três participantes da Quercus estão integrados.

Por último, hoje e ainda quinta e sexta-feira, a Quercus participará nas Plenárias e na Assembleia dos Povos na Cúpula dos Povos. Esta reunião paralela da sociedade civil procura reunir apelos e propostas de quem vive e sofre mais diretamente com os problemas de um crescimento económico desrespeitador dos direitos humanos, dos ecossistemas, de princípios éticos, ambientais e sociais, com uma visão mais pragmática e objetiva das necessidades de melhoria da qualidade de vida, contrastando com a falta de decisão e ação dos políticos presentes na Rio+20.

Rio de Janeiro, 19 de junho de 2012

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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publicado por Quercus às 18:52





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