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Um dia pouco produtivo… e sem Plano B à vista

Quinta-feira, 14.06.12

Já se gastou o primeiro de três dias da parte preparatória final da conferência Rio+20. Houve vários encontros, três deles mais prioritários dedicados à economia verde, à componente institucional do desenvolvimento sustentável e ainda um sobre a implementação das medidas resultantes da conferência e que quinta-feira se prolongam. Por outro lado, os denominados temas críticos tiveram também discussões associadas aos conteúdos presentes no texto a ser proposto para aprovação na conferência, apesar de mais curtas: emprego verde, oceanos, químicos, cidades sustentáveis e inovação, entre outros.

No final de um dia que recebeu logo pela manhã, numa zona adjacente de exposições, o Parque dos Atletas, a visita da Presidente Dilma Rousseff que inaugurou o pavilhão do Brasil, os resumos dos progressos eram muito tímidos e os habituais culpados eram apontados como estando a bloquear as negociações – por exemplo, a Arábia Saudita no caso da energia.

O principal problema é que o Brasil não quer ver repetido o final que a Conferência sobre Alterações Climáticas que se realizou em Copenhaga acabou por ter – meses de discussão de um mega documento em relação ao qual havia inúmeras divergências entre países, com um documento entretanto lançado e que teve o sim de alguns países, mas que não viria a ser aprovado pelo plenário. Não havendo assim um plano B, uma das possibilidades é apostar nos pontos que estão consensualizados – o problema é que são poucos, não chegando a 25% dos parágrafos do total do documento final “O Futuro que Nós Queremos”, são pouco ambiciosos, e além disso, não resolvem áreas que são teoricamente determinantes, como a aceitação do princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas, que obriga a diferentes graus de empenho em função do desenvolvimento de cada país, e tem países com contra a sua aceitação.

Até sexta-feira, os negociadores-chefe são da Coreia do Sul e de Antígua e Barbados, havendo depois um vazio enquanto decorrem os chamados "diálogos do Rio", para os especialistas e a sociedade se pronunciarem diretamente sobre as áreas mais críticas, e depois de 20 a 22 de Junho temos a conferência já com os chefes de Estado e de governo presentes, assumindo o Brasil a condução dos trabalhos. Não tendo sido feito um exaustivo trabalho de casa para ultrapassar muitas das discordâncias, não é fácil ultrapassar os dilemas existentes, pelo que o Brasil formal ou informalmente, tem, no limite a partir de sábado, dia 16, de começar a investir todas as suas energias na finalização de um documento credível.

Apesar dos balanços, da avaliação, de um olhar qualitativo sobre o futuro, é vital que os princípios e objetivos para um mundo mais sustentável sejam implementados rapidamente, de forma a transformar a Rio+20 numa conferência de partida, que olhou e de forma satisfatória para o passado da ECO/92, mas que tem de traçar um futuro com muito menos impactes ambientais, principalmente os de natureza irreversível. Só assim se justificam os investimentos avultados de reunir os decisores em reuniões desta natureza.

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publicado por Quercus às 03:53





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