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Pescas: salvaguardar os recursos das ameaças, explorá-los de forma sustentável e investir no sector conserveiro

Quarta-feira, 30.05.12

O setor das pescas é um elemento fundamental na estratégia de aproveitamento dos recursos do mar, tão significativos para Portugal, sendo os oceanos um dos sete temas críticos na Conferência Rio+20. No âmbito da iniciativa “5 Saídas Verdes para a Crise”, a Quercus e o Secretário de Estado do Mar, Doutor Manuel Pinto de Abreu, visitaram hoje a fábrica Ramirez em Matosinhos, uma empresa com 159 anos, sendo a mais antiga conserveira mundial em laboração.


À escala de Portugal, e tendo em conta também o emprego verde proporcionado pelo sector, importa destacar que:
- Os portugueses são os terceiros maiores consumidores de pescado a nível mundial (57 kg/ano), depois de islandeses e japoneses;
- Existem 21 fábricas de conservas em laboração, 18 no Continente e 3 nos Açores, sendo as do Continente responsáveis por cerca de 3 500 postos de trabalho diretos e outros tantos indiretos;
- Fabricam-se anualmente cerca de 50 000 toneladas de conservas de peixe;
- O volume de negócios do sector das conservas de peixe em Portugal ronda os 220 milhões de euros, com a exportação a representar cerca de 56% deste valor;
- A primeira fábrica de conservas de sardinha nasceu há 122 anos em Setúbal;
- A pesca da sardinha pela arte do cerco foi a primeira arte de pesca nacional e a primeira arte de pesca da sardinha na Europa a obter uma certificação pelo Marine Stewardship Council, tendo assim passado a incluir o restrito grupo de pescarias mundiais com impacto mínimo sobre o ambiente e consciente quanto à necessidade de preservação dos recursos marinhos;
- A captura excessiva de algumas espécies e fenómenos como as alterações climáticas têm conduzido a quebras significativas na pesca de algumas espécies como o caso da sardinha que viu a sua quantidade reduzida em mais de 50% nos últimos 10 anos no total da costa portuguesa.

 

À escala mundial é importante referir que:
- Em 2008, as pescas asseguraram a 3 mil milhões de pessoas pelo menos 15 por cento da sua proteína animal. No mesmo ano, a venda de plantas aquáticas e peixes foi de 85 mil milhões de euros, e a indústria da pesca assegurou os meios de subsistência para cerca de 540 milhões de pessoas, ou 8 por cento da população mundial;
- Além de alimentos e emprego, os oceanos são um recurso natural que suportam indústrias de viagens e turismo, mineração, telecomunicações e transporte. Acresce ainda que algumas espécies marinhas têm utilização farmacêutica no tratamento de doenças como o cancro, o HIV a malária;
- Os oceanos também têm um papel importante no sistema climático global pela geração de oxigénio e absorção de cerca de 30% das emissões globais de dióxido de carbono. Devido aos seus significativos benefícios económicos, sociais e ambientais, a garantia de oceanos saudáveis e produtivos é vital para alcançar um desenvolvimento sustentável;
- Independentemente dos benefícios económicos, sociais e ambientais significativos dos oceanos, há inúmeros desafios na sua preservação e manutenção para as gerações futuras;
- Alguns dos problemas que assolam os oceanos são a pesca excessiva e destrutiva, a perda da biodiversidade, incluindo a diminuição grave e/ou esgotamento de determinadas populações de peixes (por exemplo, atum, bacalhau, solha, linguado e pescada), a acidificação dos oceanos (causando o branqueamento de corais), o aquecimento dos oceanos, a destruição dos recifes de coral, a poluição difusa resultante de bacias hidrográficas ou a acumulação de detritos, para além dos derrames acidentais de petróleo, água radioativa de acidentes nucleares, bem como espécies invasoras presentes nas águas de lastro.



Esta foi a terceira visita da iniciativa da Quercus5 Saídas Verdes para a Crise, que pretende chamar a atenção para a Conferencia Rio+20 e mostrar alguns dos sectores-chave em Portugal (energia, agricultura, florestas, pescas e reabilitação urbana), onde o estímulo e o investimento não podem ser esquecidos pela oportunidade de criação de emprego, assegurando uma maior independência e sustentabilidade do país. A Quercus trabalha nesta área com outras associações portuguesas no quadro da PONG-Pescas, Plataforma de Organizações Não Governamentais Portuguesas sobre a Pesca.

A Conferência Rio+20 terá lugar no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de Junho e reunirá primeiros-ministros e chefes de Estado de todo o mundo. Ao mesmo tempo, e durante duas semanas, terá lugar na mesma cidade, a Cúpula dos Povos, uma reunião de organizações não governamentais aberta a toda a população que procurará fazer eco das ideias da sociedade civil sobre o futuro do planeta.



Matosinhos, 30 de maio de 2012
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

 

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publicado por Quercus às 21:31





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